Uvas da nossa terra
Uvas da nossa terra

A vindima é um trabalho arduo e demorado, mas muito gratificante. É um trabalho que se faz por várias fases.
Em Portugal é nos mêses de Setembro/Outubro que se fazem as vindimas. As pessoas ajudam-se umas às outras. Cortam-se as uvas para os cestos. depois se tansporta para os lagares.

A partir do momento em que as uvas entram nas adegas para serem esmagadas, (ainda se utiliza o metodo de pisar as uvas con os pés dentro de lagares), da-se inicio ao fabrico e tratamento do vinho.
A partir daqui, o vinho é, então, trabalhado durante três dias para fermentar (fazer levedar), depois é colocado nas cubas onde vai continuar a fermentação até Novembro. Chegado este mês, já diz o Zé Povinho “Dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho”.


Carro de bois típico de Trás os Montes

DESFOLHADA

Origem

Originário da América Central e trazido para a Península pelos espanhóis no final da sec XV. História Foi cultivado, no nosso país, em 1500, nos campos de Coimbra. Difundiu-se pelo Minho e Beira. Devido à necessidade que este cereal tinha de muita água surgiram as, “minas”, as represas e as poças. Construíram-se vales de drenagem (escoamento da água de um terreno encharcado), vedaram-se os campos para protecção do gado e assim alterou-se o sistema da agricultura . Foram tantas as alterações provocadas pelo cultivo do milho que o escritor Orlando Ribeiro deu-lhe o nome de Revolução do Milho. A introdução deste cereal tornou-se uma riqueza para o país, sendo cientificamente chamado ( Zea Mays), que quer dizer muito dinheiro. Tipos de milho Milho-rei, milho de pipocas, milho-zaburro, milho-moído, milho-rainha. Locais de guardar o milho Espigueiro, celeiro, eira, alpendre, moinho. Instrumentos utilizados na agricultura (do milho) Malhador, peneira, foicinha, semeador, crivo, enchada, engaço, gadanho, cestos, tesouras de poda.

As Desfolhadas antigamente

Antigamente, no tempo dos nossos avós, marcavam-se o dia das desfolhadas com os vizinhos, a família e os amigos. Durante o dia, juntavam-se os lavradores e cortavam o milho com uma foicinha.

Carregavam o milho para os cestos e iam no carro dos bois para a eira. Outros lavradores levavam o milho em padiolas para os espigueiros.

À noite, à luz das candeias faziam-se grandes desfolhadas, dançava-se e cantava-se ao desafio, ao som da concertina. Outros contavam anedotas. Durante o trabalho iam comendo sardinhas, broa, nozes, castanhas, chouriço, presunto, milho assado, bacalhau frito, e frango...

Quando alguém encontrava o milho–rei (uma espiga vermelha) era uma alegria. Quem a encontrasse tinha de dar um beijo ou dar um abraço aos presentes.

Nesta época pegava-se na palha do  milho  e  colocavam-se em medas, deixava-se secar e depois serviam  de cama para os animais, de comida  para o gado e para estrume. Apesar do trabalho as desfolhadas era uma altura de grande satisfação e alegria para os trabalhadores.


 

 

Gastronomia 

 

Pão, farinha, papas de milho, sopas de milho, pipocas, farelo, flocos de milho, saladas, bolo de milho, fermento, óleos, farinha maizena (amido de milho).

 

Receitas

Broa de milho

Junta-se o fermento com a farinha de milho peneirado, vai-se deitando água morna e amassando até ficar uma massa homogénea. Vai-se peneirando para essa massa farinha de centeio e de trigo e vai-se amassando. Num canto da masseira deixa-se levedar a massa e quando ela apresentar umas rachadelas, já está pronta a cozer. Entretanto o forno já está aquecido estar se meter a broa. Podem-se fazer broas pequenas ou grandes conforme se quiser.

Salada de milho

Lava-se a espiga seca-se o põe-se num grelhador. Deita-se –lhe azeite, sal e pimenta. Depois de assada a espiga serve-se com batata assada, arroz seco e salada de alface.

Papas de milho

Põe-se numa panela com água a ferver, quatro batatas descascadas e uma malga de feijão. Deixa-se cozer. Pega-se numa escumadeira e vai-se esmagando a batata e o feijão. Corta-se as couves, como para caldo verde e envolvem em farinha de milho. Metem-se na panela a acrescentando azeite e sal.

Depois deixa-se cozer e está pronto a servir.

 


Ciclo do Pão 

Sensivelmente até ao último terço do século XX, o centeio e a batata desempenharam um papel importante na economia do país pois constituíam os produtos agrícolas dominantes. Assim os recursos naturais, como a produção de cereais para pão

 e para alimentação animal, inseridos no ecossistema permitiam condições de reprodução social de que os recursos técnicos são instrumentos privilegiados de execução/verificação. 

A cultura cerealífera afirmou-se como um recurso natural de excelência, na medida em que associou uma possibilidade técnica a uma reprodução económica e social. Assim, desde época remota, a população sentiu a necessidade de criar equipamentos colectivos (moinhos e fornos), que permitissem a moagem e cozedura do pão centeio e as designadas, bicas do lar. Esta cultura é a tónica dominante nas terras secas, ávidas de chuva, por vezes caprichosa, podendo-se atribuir a sua produção em grande parte, às condições do solo, ao clima e à altitude.
 
Compreender a cultura cerealífera, implica contextualizar e analisar, historicamente, as condições sociais, económicas e políticas que permitiram as transformações dos processos materiais e sociais, associados à produção do pão. Sabemos que as emigrações, a mecanização agrícola e algumas políticas de carácter agrícola foram factores preponderantes para a perda de determinadas práticas sociais ligadas ao ciclo do pão.
 
Na organização familiar, a produção caseira e comunitária do pão ocupa, pela diversidade de funções e negociação de sociabilidades, um lugar de destaque, pois a estrutura social e a vida comunitária encontra no Ciclo do Pão – do qual a Transformação do cereal é um dos pontos centrais, juntamente com a cozedura – um espaço de afirmação por excelência.
 
Os moinhos e fornos do povo são espaços comunais que, enquanto construções técnicas dentro de sistemas de aproveitamento de recursos naturais, configuravam práticas socioeconómicas adequadas ao seu funcionamento dependendo do reaproveitamento dos recursos naturais existentes nas aldeias (a água e a lenha) e de determinadas regras e princípios comunitários.
 

Posto isto, a presente exposição pretende retratar, através de um conjunto de imagens, textos descritivos e objectos, as etapas sequenciais e cíclicas que constituem o ciclo do pão:

• O amanho das terras e sementeiras;
• As Segadas;
• As Carradas;
• A Malha;
• A Moagem;
• A Cozedura;

 

pagina seguinte
pagina seguinte